setembro 27, 2009

Votem!

Isto é incrível. Depois de tantas, tantas críticas negativas ao governo do Partido Socialista, de quem fechando os olhos á uma crise mundial, fechando o bom senso ao mundo, sem misericórdia, teceram enormes defeitos. No fundo, para quem não está habituado ao cenário, ficaria estupefacto, da mesma forma como eu fiquei desapontado, com os praticamente 40% de abstenção. Obviamente, votem! Foi o que fiz. Estar ali, na sala velha de uma escola pública, com três meninas a olharem para mim enquanto dizem alto o meu nome, depois pegar no boletim, esconder-me lá no cantinho, colocar a cruzinha onde quero e pensar,« Tenho mesmo algo a dizer nisto». Não compreendo os abstencionistas, juro, por outro lado já não direcciono palavras de escárnio os que votam em branco ou nulo. Que raio de maneira de desperdiçar estes pouco mais de trinta anos de liberdade, de perfumada liberdade de escolha, parece que carregam às costas a democracia que os outros conseguiram para eles. Uma falta de respeito, para pessoas como familiares de todos nós, que viram a casa invadida pela PIDE, os livros vasculhados, a intimidade devassada. E para tantos outros que foram presos, torturados, silenciados à força. Nem preciso de olhar para o nosso passado recente. Olho para as dezenas de regimes ditatoriais que ainda hoje existem no mundo e acho um luxo, viver neste país e poder colocar a cruzinha onde me apetece. É um sistema imperfeito, a democracia? Abrem-se opiniões, mas abdicar do direito de escolha ou, pelo menos, do direito de podermos dizer quais são aqueles que não queremos? Não haverá bons nem muito bons, mas há de certeza uns menos maus. Vão votar.