E porque cada vez mais sinto na pela que o mundo vive das aparências, vive dos nomes sonantes, e enquanto não fores amado, nunca poderás ser respeitado, e é esta a sociedade que temos, é nisto que pensamos involuntariamente. Por defender que o salto para o sucesso é para os sortudos, tão curto, vou falar de um jogador de futebol, quem eu admiro de uma forma imperativa, irrefutável e ironicamente, quase que aposto que muitos de vocês, não ouviu falar muito dele. Hoje falasse de Cristiano Ronaldo, de Lionel Messi, que jamais me atreveria a por em causa a suas qualidades quase sobrenaturais, mas de quem vos vou falar, é do József Bozsik. Quando fazemos alguma menção à seleção de futebol da Hungria, é impossível não nos lembrarmos de Kocsis, Czibor, Hidegkuti e principalmente de Puskas. Afinal de contas, eles formavam a linha de ataque da selecção mágica, apelidada de “Selecção de Ouro” pela beleza do futebol que praticava e que encantou todo o mundo na década de 50.
No entanto, para que a linha de ataque funcionasse com toda a força e para que a defesa não sofresse tantos golos, era necessário que o meio-campo também tivesse solidez e qualidade tanto para iniciar as jogadas de ataque quanto para destruir o poderio ofensivo dos adversários. E ninguém na Hungria foi mais eficiente nesse aspecto do que József Bozsik.
Nascido no mesmo bairro de Budapeste que Puskas, Kispest. “Cucu”, o apelido de infância de Bozsik, começou a jogar com ele e outros garotos num campinho chamado Lipták Grund. Apesar de dois anos mais velho que o atacante, tanto Bozsik quanto Puskas já eram seleccionados pelos miúdos mais velhos para jogar contra eles nos treinos da equipa juvenil.
Certo dia, um olheiro do Kispest AC, clube do bairro, viu Boszik em acção e resolveu convidá-lo a jogar na equipa. Treinado pelo pai de Puskas, o Kispest era conhecido pela rigidez de seus treinos, obrigando os atletas a treinar até dez horas por dia. Assim, esses métodos fizeram com que o meio-campista desenvolvesse força física e massa muscular suficientes para ingressar na equipa principal e começar a disputar os campeonatos nacionais. E então com 18 anos o jovem Bozsik estreou-se na equipa principal contra o Vasas.
Rápida ascensão e natural lembrete para a selecção.
.O Kispest começou a formar uma equipa de respeito, embora o pai de Puskas tenha saído para dar lugar ao técnico Bela Guttman, então um técnico promissor, que já tinha ganho dois títulos húngaros. Com o passar do tempo, ser convocado para a selecção húngara era uma questão de tempo. E isso aconteceu em 1947, num jogo contra a Bulgária. Era a primeira de uma série de 101 convocatórias, o que faz de Bozsik o maior jogador a vestir a camisa da Hungria em todos os tempos.
Em 1950, Bozsik ajuda o Kispest, que no mesmo ano tornaria a chamar-se Honved (exército, em húngaro) devido às intervenções do governo comunista, a conquistar seu primeiro título nacional. Ao lado de Puskas, Kocsis, Czibor e o guarda-redes Grosics formaram uma equipa, que seria temida por toda a Europa durante a década de 50. Como o clube era pertencente ao exército, todos os jogadores recebem patentes militares para poder receber pelos serviços prestados ao Honved, já que na Hungria o profissionalismo foi banido. No caso de Bozsik, ele recebeu a patente de capitão.
De acordo com o governo, o sucesso do Honved, que era treinado por Gusztav Sebes, deveria ser replicado para a selecção. Como o governo já tinha nomeado Sebes para a comissão seleccionadora nacional, que era uma espécie de comité que determinava quais jogadores deveriam defender a selecção húngara, o técnico decidiu fazer do Honved a base da selecção húngara e assim tentar reproduzir para o mundo o sucesso que a equipe do exército já conquistara no país.
Estava assim formada a estrutura principal da “Selecção de Ouro”. Bozsik então acompanha fielmente a selecção e o Honved, que conquista a hegemonia doméstica nos próximos anos. O primeiro título de respeito creditado à Selecção de Ouro foi a vitória do torneio de futebol dos Jogos Olímpicos de 1952, onde a medalha de ouro foi conquistada de forma invicta. A Selecção de Ouro começava assim a escrever seu nome na História.
Da consagração à frustração com a Selecção de Ouro.
Um ano depois da conquista da medalha olímpica, surgiu um convite para enfrentar a Inglaterra em Wembley. Os ingleses estavam invictos há nove anos e propuseram um encontro dos “pais do futebol” contra a “selecção sensação da Europa”. Os húngaros não perdiam um jogo desde 1950. A expectativa para o jogo era tanta que toda a imprensa inglesa chamou ao jogo, “Jogo do Século”.
Bozsik não só fez parte da equipa que entrou em campo como ajudou a Selecção de Ouro a humilhar a Inglaterra na vitória por 6 a 3, fazendo um golo no começo do segundo tempo, calando a fundo o templo maior do futebol inglês. Seis meses depois, já no início de 1954, foi marcada uma vindica em Budapeste e a Selecção de Ouro ganhou novamente, e por um placar ainda maior: 7 a 1. É, até hoje, a pior derrota da selecção inglesa em todos os tempos.
Com isso, a Hungria era a franca favorita para a conquista da Copa do Mundo, a ser realizada na Suíça no meio do ano. Com sua invencibilidade mantida, poucas pessoas na Europa e no mundo acreditavam que os mágicos perderiam o título. Paralelamente, Bozsik era considerado o melhor meio-campista do mundo, dotado de extrema técnica, estilo e criatividade.
Iniciada a Copa, a Hungria confirmou o que todos esperavam: boas vitórias e futebol envolvente. No jogo contra o Brasil, válido pelos quartos-de-final, Bozsik foi expulso de campo juntamente com o lateral Nilton Santos por agressão mútua. Esse jogo ficaria conhecido como “A Batalha de Berna”, pois terminada a partida (com vitória húngara por 4 a 2) uma confusão generalizada deu lugar aos cumprimentos dos jogadores das duas equipas. Como na época o regulamento não previa suspensão por expulsão, Bozsik participou normalmente da semi-final contra o então campeão mundial Uruguai. Assim, ajudou a Hungria a vencer novamente por 4 a 2, o que deixava a Selecção de Ouro a um jogo para a consagração definitiva da equipa que praticava o mais belo futebol do planeta.
Entretanto, a consagração dá lugar à frustração. Depois de quase cinco anos sem perder, a Hungria é derrotada na final da Copa pela Alemanha por 3 a 2, fica com o vice-campeonato e Bozsik, como todos os outros jogadores, saem de campo a chorar e lamentando a grande oportunidade perdida.
Revolução, dissoluções e morte prematura
Após a Copa, Bozsik permaneceu no Honved e conquistou mais dois campeonatos húngaros, em 1954 e 1955. No ano seguinte, a equipa húngara encontrava-se em Espanha a realizar um tour por algumas cidades em jogos amistosos. Foi quando veio a notícia de que a revolução húngara foi derrotada pelos soviéticos e com isso, tempos ainda mais difíceis os aguardavam no país.
Foi a chance que jogadores como Puskas, Kocsis e Czibor tiveram para não voltar para a Hungria e se estabelecer no exterior, onde ganhavam mais e podiam gozar de mais popularidade e conforto em relação ao país natal. Ao contrário deles, Bozsik voltou para o país normalmente e continuou a jogar no Honved, Mas a equipa do exército já não era mais o mitológico esquadrão que encantava a todos os húngaros. Com a saída dos principais atacantes, a equipa não ganhou mais nenhum campeonato e amargou um jejum que somente seria quebrado em 1980.
Bozsik ainda foi convocado para a Copa de 1958, mas, como o Honved, a equipa húngara também já não tinha o mesmo encanto que mostrara quatro anos antes e acabou eliminado na primeira fase pelo País de Gales. Bozsik jogou até os 37 anos, quando fez a sua última partida pela Hungria contra o Uruguai.
Logo após a sua aposentadoria dos relvados, Bozsik ainda era bastante querido pelo povo húngaro, pela claque do Honved e pelo regime comunista que governava o país. Prova disso foi o convite feito pela direcção do Honved para que se tornasse um membro da direcção do clube. Dois anos após sua nomeação, Bozsik passou a ser o técnico da equipa e ficou no comando por um ano. Resultados maus fizeram com que Bozsik voltasse para a direcção do clube.
Logo após a Copa de 1974, onde a Hungria não se conseguiu classificar, Bozsik foi convidado pela federação húngara para comandar a selecção. Só comandou a equipa nacional num jogo, sendo aconselhado pelos médicos a parar de trabalhar com o futebol, pois seu coração já dava sinais de fraqueza. Assim, Bozsik foi convidado para fazer parte da comissão técnica que tentaria classificar a Hungria para as finais da Europa de 1976 e para a Copa do Mundo de 1978. O primeiro objectivo não foi alcançado, mas o segundo foi e a Hungria, depois de doze anos, estava classificada para a Copa.
Infelizmente, Bozsik não chegou a ver a estreia da selecção na Copa. Três dias antes do jogo contra a Argentina, ele sofre um ataque do coração e falece aos 52 anos. Puskas, muito sentido com a perda do grande amigo, não vai à Hungria, temendo ser preso pelo governo ou hostilizado pela população. Milhares de pessoas vão às ruas no seu funeral demonstrando respeito e carinho pelo ex-jogador que se tornou um símbolo do Honved e da Hungria. Como prova de respeito e gratidão, em 1986 (Ano em que nasci) o estádio do Honved foi baptizado com o nome de Bozsik, eternizando assim seu nome na história do futebol húngaro.
No entanto, para que a linha de ataque funcionasse com toda a força e para que a defesa não sofresse tantos golos, era necessário que o meio-campo também tivesse solidez e qualidade tanto para iniciar as jogadas de ataque quanto para destruir o poderio ofensivo dos adversários. E ninguém na Hungria foi mais eficiente nesse aspecto do que József Bozsik.
Nascido no mesmo bairro de Budapeste que Puskas, Kispest. “Cucu”, o apelido de infância de Bozsik, começou a jogar com ele e outros garotos num campinho chamado Lipták Grund. Apesar de dois anos mais velho que o atacante, tanto Bozsik quanto Puskas já eram seleccionados pelos miúdos mais velhos para jogar contra eles nos treinos da equipa juvenil.
Certo dia, um olheiro do Kispest AC, clube do bairro, viu Boszik em acção e resolveu convidá-lo a jogar na equipa. Treinado pelo pai de Puskas, o Kispest era conhecido pela rigidez de seus treinos, obrigando os atletas a treinar até dez horas por dia. Assim, esses métodos fizeram com que o meio-campista desenvolvesse força física e massa muscular suficientes para ingressar na equipa principal e começar a disputar os campeonatos nacionais. E então com 18 anos o jovem Bozsik estreou-se na equipa principal contra o Vasas.
Rápida ascensão e natural lembrete para a selecção.
.O Kispest começou a formar uma equipa de respeito, embora o pai de Puskas tenha saído para dar lugar ao técnico Bela Guttman, então um técnico promissor, que já tinha ganho dois títulos húngaros. Com o passar do tempo, ser convocado para a selecção húngara era uma questão de tempo. E isso aconteceu em 1947, num jogo contra a Bulgária. Era a primeira de uma série de 101 convocatórias, o que faz de Bozsik o maior jogador a vestir a camisa da Hungria em todos os tempos.
Em 1950, Bozsik ajuda o Kispest, que no mesmo ano tornaria a chamar-se Honved (exército, em húngaro) devido às intervenções do governo comunista, a conquistar seu primeiro título nacional. Ao lado de Puskas, Kocsis, Czibor e o guarda-redes Grosics formaram uma equipa, que seria temida por toda a Europa durante a década de 50. Como o clube era pertencente ao exército, todos os jogadores recebem patentes militares para poder receber pelos serviços prestados ao Honved, já que na Hungria o profissionalismo foi banido. No caso de Bozsik, ele recebeu a patente de capitão.
De acordo com o governo, o sucesso do Honved, que era treinado por Gusztav Sebes, deveria ser replicado para a selecção. Como o governo já tinha nomeado Sebes para a comissão seleccionadora nacional, que era uma espécie de comité que determinava quais jogadores deveriam defender a selecção húngara, o técnico decidiu fazer do Honved a base da selecção húngara e assim tentar reproduzir para o mundo o sucesso que a equipe do exército já conquistara no país.
Estava assim formada a estrutura principal da “Selecção de Ouro”. Bozsik então acompanha fielmente a selecção e o Honved, que conquista a hegemonia doméstica nos próximos anos. O primeiro título de respeito creditado à Selecção de Ouro foi a vitória do torneio de futebol dos Jogos Olímpicos de 1952, onde a medalha de ouro foi conquistada de forma invicta. A Selecção de Ouro começava assim a escrever seu nome na História.
Da consagração à frustração com a Selecção de Ouro.
Um ano depois da conquista da medalha olímpica, surgiu um convite para enfrentar a Inglaterra em Wembley. Os ingleses estavam invictos há nove anos e propuseram um encontro dos “pais do futebol” contra a “selecção sensação da Europa”. Os húngaros não perdiam um jogo desde 1950. A expectativa para o jogo era tanta que toda a imprensa inglesa chamou ao jogo, “Jogo do Século”.
Bozsik não só fez parte da equipa que entrou em campo como ajudou a Selecção de Ouro a humilhar a Inglaterra na vitória por 6 a 3, fazendo um golo no começo do segundo tempo, calando a fundo o templo maior do futebol inglês. Seis meses depois, já no início de 1954, foi marcada uma vindica em Budapeste e a Selecção de Ouro ganhou novamente, e por um placar ainda maior: 7 a 1. É, até hoje, a pior derrota da selecção inglesa em todos os tempos.
Com isso, a Hungria era a franca favorita para a conquista da Copa do Mundo, a ser realizada na Suíça no meio do ano. Com sua invencibilidade mantida, poucas pessoas na Europa e no mundo acreditavam que os mágicos perderiam o título. Paralelamente, Bozsik era considerado o melhor meio-campista do mundo, dotado de extrema técnica, estilo e criatividade.
Iniciada a Copa, a Hungria confirmou o que todos esperavam: boas vitórias e futebol envolvente. No jogo contra o Brasil, válido pelos quartos-de-final, Bozsik foi expulso de campo juntamente com o lateral Nilton Santos por agressão mútua. Esse jogo ficaria conhecido como “A Batalha de Berna”, pois terminada a partida (com vitória húngara por 4 a 2) uma confusão generalizada deu lugar aos cumprimentos dos jogadores das duas equipas. Como na época o regulamento não previa suspensão por expulsão, Bozsik participou normalmente da semi-final contra o então campeão mundial Uruguai. Assim, ajudou a Hungria a vencer novamente por 4 a 2, o que deixava a Selecção de Ouro a um jogo para a consagração definitiva da equipa que praticava o mais belo futebol do planeta.
Entretanto, a consagração dá lugar à frustração. Depois de quase cinco anos sem perder, a Hungria é derrotada na final da Copa pela Alemanha por 3 a 2, fica com o vice-campeonato e Bozsik, como todos os outros jogadores, saem de campo a chorar e lamentando a grande oportunidade perdida.
Revolução, dissoluções e morte prematura
Após a Copa, Bozsik permaneceu no Honved e conquistou mais dois campeonatos húngaros, em 1954 e 1955. No ano seguinte, a equipa húngara encontrava-se em Espanha a realizar um tour por algumas cidades em jogos amistosos. Foi quando veio a notícia de que a revolução húngara foi derrotada pelos soviéticos e com isso, tempos ainda mais difíceis os aguardavam no país.
Foi a chance que jogadores como Puskas, Kocsis e Czibor tiveram para não voltar para a Hungria e se estabelecer no exterior, onde ganhavam mais e podiam gozar de mais popularidade e conforto em relação ao país natal. Ao contrário deles, Bozsik voltou para o país normalmente e continuou a jogar no Honved, Mas a equipa do exército já não era mais o mitológico esquadrão que encantava a todos os húngaros. Com a saída dos principais atacantes, a equipa não ganhou mais nenhum campeonato e amargou um jejum que somente seria quebrado em 1980.
Bozsik ainda foi convocado para a Copa de 1958, mas, como o Honved, a equipa húngara também já não tinha o mesmo encanto que mostrara quatro anos antes e acabou eliminado na primeira fase pelo País de Gales. Bozsik jogou até os 37 anos, quando fez a sua última partida pela Hungria contra o Uruguai.
Logo após a sua aposentadoria dos relvados, Bozsik ainda era bastante querido pelo povo húngaro, pela claque do Honved e pelo regime comunista que governava o país. Prova disso foi o convite feito pela direcção do Honved para que se tornasse um membro da direcção do clube. Dois anos após sua nomeação, Bozsik passou a ser o técnico da equipa e ficou no comando por um ano. Resultados maus fizeram com que Bozsik voltasse para a direcção do clube.
Logo após a Copa de 1974, onde a Hungria não se conseguiu classificar, Bozsik foi convidado pela federação húngara para comandar a selecção. Só comandou a equipa nacional num jogo, sendo aconselhado pelos médicos a parar de trabalhar com o futebol, pois seu coração já dava sinais de fraqueza. Assim, Bozsik foi convidado para fazer parte da comissão técnica que tentaria classificar a Hungria para as finais da Europa de 1976 e para a Copa do Mundo de 1978. O primeiro objectivo não foi alcançado, mas o segundo foi e a Hungria, depois de doze anos, estava classificada para a Copa.
Infelizmente, Bozsik não chegou a ver a estreia da selecção na Copa. Três dias antes do jogo contra a Argentina, ele sofre um ataque do coração e falece aos 52 anos. Puskas, muito sentido com a perda do grande amigo, não vai à Hungria, temendo ser preso pelo governo ou hostilizado pela população. Milhares de pessoas vão às ruas no seu funeral demonstrando respeito e carinho pelo ex-jogador que se tornou um símbolo do Honved e da Hungria. Como prova de respeito e gratidão, em 1986 (Ano em que nasci) o estádio do Honved foi baptizado com o nome de Bozsik, eternizando assim seu nome na história do futebol húngaro.





1 Coments:
Essa história é "loka"!!
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