28/02/2009

A vida e os seus planos

Quando andamos fortemente a planear a vida, de um momento para o outro denotamos que a vida, já está planeada para nós. É preciso saber encontrar-mo-nos na vida.
IA

Resposta á 'As mentiras'

Desde já, tenho o orgulho de dizer que só uma pessoa acertou absolutamente nas três tangas que vos preguei. O comentário dessa pessoa não foi aceite. Todos os comentários que não foram aceites, eram respostas que coecidiam com as demais publicadas. Desculpem qualquer coisa.
1 - Caretas ao espelho de minha casa. É verdade, eu acordo e começo com caretas no espelho da casa de banho, passa para o quarto, enquanto me visto, normalmente acompanhadas por uma música qualquer que canto em todos esses momentos. Ninguém é perfeito.
2 - Fazer parte de um vídeo-clipe, é verdade. O artista é o Senhor Pedro Abrunhosa, a música é 'Tenho uma arma' e foi gravado em Corroios.
3 - Sempre que vejo um jogo, penso que faria melhor que eles. É uma das mentiras, sei que as situações complicadas acontecem, e se ele fazem asneira, possivelmente eu já fiz mais.
4 - Marquei um penalti ao Marco Aurélio, é verdade. Jogo treino no campo do Almada atlético Clube.
5 - Tenho um peluche no meu quarto. É verdade. No fundo até tinha mais que um, de momento, e por motivos pessoais, só tenho mesmo dois que me foram oferecidos dentro de duas canecas.
6 - Quanto a não ter medo do vicio. É mentira, umas das situações e nunca ter pegado num cigarro, resume-se a ter bem ciente a dificuldade de o deixar.
7 - Já tomei o pequeno almoço em Sevilha, almocei em Marrocos e jantei no Algarve. É verdade.
8 - Nas canárias tinha medo que a ilha fosse ao fundo. É verdade. Subir ao Teyde, e reparar estar no meio do oceano, fez a casa das máquinas entrar em curto circuito.
9 - Guardo todas as cartas que me mandam, é verdade, embora não saiba de muitas. Massacrem-me!
10 - Camisola do FCP, com o meu nome e o numero 13 nas costas, é falso. Ai de quem ma ofereça, pois não acharia piada de todo.

E já está desvendado. Parabéns a pessoa que acertou, acabou de ganhar um jantar romântico para dois, com o Brad Pitt. Isso ainda depende da vontade da vencedora.
Obrigado a todos os que participaram.

Deprimente, no mínimo

Deprimente, no mínimo. Hoje era suposto estarem reunidas condições para 'isto' com o pessoal. Mas não estão. Já me disseram para aguardar uma semana, e então depois, lá daremos uso á toalha e ao protector. Angustia. Por agora troca-se a praia pelo cinema.
Ces´t la vie!

26/02/2009

Sometimes, I wish that my life had a pause and a rewind button

There are times in my life where I wish I could simply rewind life to where it was at a previous point in time to change the relationship that I had at a certain time. There have also been times when I wished that I could pause time so I could think of what too say. So many of times have I made a mistake with saying something that I didn't mean to say or that I said that didn't have the effect that I wanted. Can anyone else relate?
IA

25/02/2009

As mentiras

Andava eu pela blogosfera, quando me deparo que uns quantos blogs, já adoptaram uma espécie de jogo, que de uma certa forma jocosa, consiste em o autor do blogue, estruturar 10 frases, das quais 3, são mentira. Especulem sobre o assunto que eu mais tarde, irei por ordem na casa. (Desta vez, todos os comentários* serão aceites).

1- Faço caretas aos espelhos de minha casa.
2- Faço parte de um vídeo-clipe (recente) de um artista Português, bem conhecido não só em Portugal, como no mundo.
3- Sempre que vejo um jogo na TV, penso que faria melhor que eles.
4- Já marquei um penalti ao Marco Aurélio, Ex-Guarda-Redes do Belenenses.
5- Tenho um peluche no meu quarto.
6- Não tenho medo do vicio, acho que o venceria (Tabaco, droga, Etc)
7- Já tomei o pequeno almoço em Sevilha, almocei em Marrocos e fui jantar ao Algarve, tudo no mesmo dia.
8- Nas canárias tinha medo que a ilha fosse ao fundo.
9- Guardo todas as cartas que me mandam.
10- Tenho uma camisola do FCP, com o meu nome e o numero 13 nas costas.

*Todos os comentários que não se afastem do post.
IA

Pedro Marques Lopes

É incrível o fanatismo que o futebol dimensiona. O senhor Pedro Marques Lopes, tornou-se ridículo na suas ultimas declarações feitas no 'Á lei da bola'. Tendo em conta o teor do espaço, julgo e assim quero pensar, que não passe de material jocoso. No fundo, o fanatismo tem limites. Já não tanto limite tem a oralidade Portuguesa, pois permite o uso da palavra 'indignidade' vezes sem conta. O que no principio da conversa, as discussões sobre a arbitragem, eram nada mais que 'desculpas', parece que no fim da conversa, já não são desculpas a sua indignação no jogo com o Paços De Ferreira. E sim, citando as suas palavras, realmente alguém precisa de ganhar juízo.
I.A

21/02/2009

Minha camisa 13

Deixei os meus sonhos
Devorar-me os sentidos
Abracei a camisa
E prendia-a entre os dedos

Mas cansei-me das ruas
E das luzes de prata
Com multidão esquisita
Escondi-me nas portas
Em vertigens de faca

Abri as janelas
Com multidões divinas
Mas agarrei-a nos braços
Sob a luz das cortinas

Mergulhei no abismo
De olhares
Tão 'urgentes'
E beijei-te sem pressa
Pedindo-te o sempre

A vida é só
Este espaço vazio
Com instantes dementes
Entre o dinheiro que sorriu
Pedaços de tempo
Mentiras eternas
Uma névoa de gente
De esperanças pequenas

Foi então que sonhei
Que não tinha partido
Que as mãos eram o céu
De mais um rapaz perdido

Acordei num abraço, mãe
Sereno de ti
Mas foi preso ao nada
Que no sonho morri

Disseste que o sonho
Me fugia das mãos
E eu perdi-me no medo
Que tivesses razão

Mata-me a saudade
Agarra-me
Para sempre

PA



16/02/2009

Manipulação

Já caí em conversa sobre este mesmo assunto, e em qualquer das variadas vozes, sempre me informam que me acham manipulador, mas que de todo poderei transportar tal adjectivo como valor pejorativo da minha pessoa. Por outro lado, sempre encontram na palavra manipulador, teor que surge em mim como uma característica em tom de elogio. Não consegui concordar por completo com a ideia de me elogiarem por ser manipulador.
Fui observar a mesma palavra no dicionário, e retirei algo como «preparar com a mão, preparar, manobrar».
Agora eu, penso que há e vai haver sempre uma conotação de «perversão», geralmente associada ao conceito. O manipulador é aquele que manobra, condiciona ou orienta deliberadamente um movimento neste ou naquele sentido. A conotação pejorativa que associamos ao termo marioneta, por exemplo, tem a ver com esta noção de perversão. - Entenda-se, a marioneta não tem vontade própria, é manobrada por um dissimulador oculto, que a orienta -. Por isso, entendo que é uma ofensa acusar alguém de ser uma marioneta nas mãos de outra pessoa, um «Roberto», dizia-se noutros tempos, hoje um Ruben, quiçá. É este sentido eticamente reprovável (usei a palavra 'eticamente' só para mostrar que a sei distinguir da moral) que persiste na utilização do termo manipulação, quando aplicado aos mass media. Conscientes da enorme força da comunicação social na sociedade contemporânea, os lideres de opinião, ou como queiram apelidar, desde políticos, religiosos, desportistas, utilizam-na para atingir os seus fins e influenciar as pessoas. A tentativa de controlo dos mass medias por governos ou grupos determinados que pretendam ascender ou manter o poder, é notória em todos os regimes políticos, democráticos ou não.
IA

15/02/2009

Adolescentes

Vontades famintas irracionais de um animal pecaminoso, ao qual foram entregues características superiores aos demais, mas quem diria, quando vou na rua, e um ford Fiesta, com 4 miúdas, me acompanha, com dizeres jocosos e tentadores de resposta menos ponderada, foco a minha atenção nas pedras da calçada, que só é interrompida com um estalo de uma espécie de bombinha que estoirou a meio metro dos meus pés.
Por blasfemea irracional de todo, me sai pela mente em tom de oralidade, substancia que tem seu termito em ideias como, «hoje parvas, amanhã prostitutas».
IA

13/02/2009

Hospital Egas Moniz

Portugal, imagem do meu país. Deu entrada uma qualquer terça feira do ano de 2004, após solicitação por meio de carta, um senhor de origem moçambicana no Hospital Egas Moniz, com intenção de ser alvo de uma cirurgia, devido a ligeiros problemas respiratórios ao nível da garganta. É de frisar que a palavra ligeiros é pedra bisal da frase. Operado na quarta feira, que supostamente, após cirurgia deu entrada no serviço de recobro, onde veio a falecer, á luz do esquecimento por parte do médico responsável pelo serviço de cirurgia, que achou por bem deixar um dos seus utensílios mais preciosos, a coexistir com a garganta do agora morto.
Por esta altura o irmão do paciente entra em contacto com o hospital, na tentativa vã de algumas informações sobre o ente querido. Como resposta, apenas o informam que não dispõem das mesmas. Esta frase está estúpida, não resisti a não publica-la, a frase, lá está.
Passados alguns minutos dessa mesma tentativa sem sucesso, o irmão do paciente recebe um telefonema do primo, no qual diz, que o seu irmão faleceu. Indignado, perguntou-lhe como sabia disso, e o primo contou-lhe que estava naquele preciso momento no Hospital Egas Moniz, e era a informação que dispunha.
Que nem irmão de rastos, correu, talvez não, mas deslocou-se por transportes públicos desde Alverca, até ao Egas Moniz. Chegando lá, disseram que afinal o seu irmão não estava morto, estava por sua vez, numa outra qualquer unidade daquele mesmo estabelecimento hospitalar. Pediram que voltassem no dia seguinte.
De volta a Alverca, e ao chegar á dita, recebe um telefonema, com indicativo '21', era do Hospital Egas Moniz, e diziam-lhe que confirmavam o óbito do seu irmão.
Choradeira própria do momento, e mais uma deslocação a Lisboa, para ver o corpo. Pouca sorte mais uma vez, pois uma enfermeira indicou que a morgue estava fechada, que voltassem no dia seguinte.
De volta a Alverca, para após uma noite mal ou não dormida, mais um angustiante dia de trabalho, que acabou ás 18 horas. Depois do laboro, novamente a deslocação para Lisboa, na tentativa de ver o corpo do irmão. Chegou a Lisboa, e afinal o corpo, dito por mais alguma entidade competente - Entenda-se competente - o corpo estava desta vez, no Instituto de Medicina Legal. Viajando até ao Instituto de Medicina Legal, ou 'Instituto de Medicina Legau', dito por um sujeito do Porto, encontraram o senhor responsável, que o informou que o corpo do seu irmão estava no Hospital Júlio de Matos.
Ora, não sou um GPS humano, nem sou o maior conhecedor da cidade de Lisboa, mas como qualquer Português, com alguma vivência em Lisboa, sei que o Hospital Egas Moniz, e o Instituto de Medicina Legal, são, vá, em geografias opostas da cidade.
E com esta situação, é informado que no relatório da autópsia, na ultima alínea do mesmo, lia-se 'Corpo para cremação'.
Admirado com o facto, e sem cartão milhas de nenhuma bomba BP, foi para o Hospital Júlio de Matos. Ao chegar, encontrou um senhor de aspecto um tanto duvidoso que disse que o corpo do seu irmão estava lá, aliás por trás da porta em que conversavam, mas que tinham de ser rápidos a entrar por causa do cheiro. Correcção, por causa do mau cheiro.
Gente com pouca higiene, talvez. Aliás, penso que muitos defuntos, adoram o novo Axe África, mas muitas vezes ninguém os ouve.
Por trás dessa porta estava um contentor verde, talvez para condizer com a cor do morto que lá se encontrava dentro. Mais um disparate! Do morto não, dos mortos; porque bem junto do cadáver do moçambicano, decompunha-se igualmente o de um ucraniano.
Saltando um pouco, até porque estou numa posição pouco cómoda para escrever, o irmão levantou um processo contra a negligencia médica, e profanação de cadáver. Em 2008, surgiu a resposta do Ministério Público, a dizer que o caso tinha sido arquivado, pois a morte, aconteceu devido ao asfixiamento causado por sangue. Quanto á profanação de cadáver, 'psssssttt, cala-te'.
Fico a pensar para mim mesmo, que ideia tem esse senhor, que perde um irmão nestas condições, num país como Portugal. Que ideia tem esse senhor sobre o nosso país? É que o facto do seu irmão, dançar no mesmo contentor com um sujeito ucraniano, poderia levantar-lhe suspeitas de foro xenófobo por parte do nosso país.
Deixo aqui uma explicação, em nome de todos os Portugueses, para os emigrantes que cá estão.
(Tratem de traduzir isto, porque eu não sou o papa) Amigos, nem por sombras pensem em diferenciação de avaliação, só porque não são Portugueses. O que aconteceu, não há Português nenhum que acredite que não poderá acontecer amanhã, e também a Portugueses. Ainda bem que vos fiz sentirem-se melhor.
Abraço.
Isto não é uma anedota, são factos que se passaram. Viva Portugal!
IA

Ivo Almeida, minha vida

E perguntam vocês, onde é que eu ultimamente tenho tentado tentado e não consigo nada? Onde é que eu luto, e não saio do mesmo local? Nada agradável.


IA

Portugal

Tão cedinho e já tantas coisas me apercebi hoje, tantos factos fofos do meu país. É hoje, sexta feira 13, Portugal está oficialmente em recessão. Mais um prato á mesa, e daremos as calorosas boas vindas, pois no fundo já a aguardava-mos á algum tempo.
Outro facto interessante, é que na SIC, hoje de manhã, ouvi o Carlos do Carmo a dar opinião sobre as traições nas relações. Enfim, não tinha ideia que fosse tanto mas, deprimente este senhor. Na verdade, ainda homens, que parecem ter chegado direitinhos do tempo em que as mulheres eram pesadas e não votavam. Segundo opinião do mesmo, 'antes do 25 de Abril é que era, afinal não podia ir sem ser virgens para o casamento'. Memorável. Triste.
IA

12/02/2009

TRADUTORE

Porquê ler os clássicos? Tanto barulho à volta desta pergunta quando a resposta está à vista de todos. Porquê ler os clássicos? Obviamente, para impressionar raparigas intelectuais. Não é, contudo, tarefa simples. Primeiro, porque as raparigas intelectuais se deixam impressionar menos pelos clássicos e mais pelo bíceps (no que se parecem imenso com as outras raparigas). Segundo, porque os clássicos são difíceis de ler. Há dias, abri as Gramáticas da Criação, do George Steiner (que não é um clássico mas já leu dois ou três, e às vezes faz resumos). Na primeira página diz assim:

“Today, in western orientations – observe the muted presence of morning light in that word – the reflexes, the turns of perception, are those of afternoon, of twilight.”

Ou seja, o bom Steiner ensina-nos que hoje, no Ocidente, somos tomados por uma sensação de término, de fim, de ocaso – e a propósito da palavra “orientações” propõe-nos que observemos nela a presença muda da luz matinal, uma vez que “orientações” deriva de oriente, isto é, do sítio onde o Sol parece nascer, onde principia a luz da manhã. Isto, meus amigos, impressiona. Há observações sobre o sentimento dos ocidentais, há crepúsculo matinal, há etimologia. Que mais pode uma rapariga querer? O problema é que eu li a tradução portuguesa, que diz:

“Hoje, entre as inclinações ocidentais – observe-se a presença muda da luz matutina deste mundo –, os reflexos, as inflexões da percepção são os da tarde, do crepúsculo.”

Está tudo estragado, não é? Desapareceu a nota sobre a palavra “orientações” (até porque a palavra, ela própria, desapareceu) e somos convidados a observar a luz matutina do mundo. Talvez as raparigas intelectuais do século XVIII ainda se deixassem levar pela contemplação da luz matutina do mundo. Mas, para que as raparigas intelectuais dos dias de hoje nos franqueiem a porta do quarto, é preciso mostrar-lhes a luz da manhã em qualquer coisa esquisita – como uma palavra. É essa a genialidade de Steiner, que o tradutor não soube verter para português.
Mais adiante, depois de lembrar que a Europa tinha acabado de viver um século de desenvolvimento e esperança, diz Steiner:

“It is in the afterglow, no doubt idealized, of this exceptional calendar (…) that we suffer our present discomforts.”

Quer dizer: a nossa inquietação actual surgiu na reminiscência daquele passado (“afterglow” é o sentimento de prazer que se segue a uma experiência agradável, a memória persistente de um passado glorioso). Na versão portuguesa aparece traduzido assim:

“É nos clarões póstumos, e sem dúvida idealizados, deste calendário excepcional (…), que vivemos o nosso actual mal-estar.”

Escuso de dizer que também não se convence ninguém com “clarões póstumos”. Paz à alma de quem libertou postumamente estes clarões, mas não há rapariga minimamente alfabetizada a quem a claridade póstuma faça qualquer espécie de mossa. Resta-nos o bíceps – o que, no meu caso, me deixa com muito pouco. Não consigo impressionar rapariga nenhuma. Assim não admira que eu permaneça absoluta e irremediavelmente encalhado.

Nota: Gramáticas da Criação foi editado em Portugal pela Relógio d’Água. A tradução é assinada por um dos mais conceituados tradutores portugueses: Miguel Serras Pereira.
RAP.

11/02/2009

João Vasconcelos E Sá

O texto, esse, é da autoria do falecido poeta, João Vasconcelos E Sá, avô do nosso relativamente bem conhecido António Pinto Bastos.
Foi então por altura do Carnaval de 1934 que ele escreveu o texto em questão, para dizer durante um jantar. Como aperitivo essencial, apraz-me informar, que nesse preciso jantar, encontrava-se entre os demais, um ministro da agricultura, de nome, Leovigildo Queimado Franco de Sousa. Conhecido como um ministro bem sisudo, tal facto que não é de todo surpreendente, na medida em que, como eu já frisei, o nome do senhor ministro. O mesmo ministro Leovigildo Queimado Franco de Sousa, ministro da agricultura, e ministro do Dr. António De Oliveira Salazar. Para não variar o senhor ministro da agricultura, não gostou deste texto, não se riu, tal era a fama do mesmo. Mais tarde, soubesse que o Dr. Salazar, leu o texto e achou-o muito divertido, e claro está o Senhor Leovigildo, passou a achar o texto muito engraçado. No fundo o que intento ressalvar, é que este texto, podia ter sido escrito ontem.

Ao exelentíssimo Senhor ministro da Agricultura:
Porque julgamos digna de registo
a nossa exposição, Sr. Ministro, a erguemos,
a erguemos até vós, humildemente,
em toada uníssona e plangente
em que evitamos o menor deslize
e em que damos razão à nossa crise.
Senhor! Em vão esta Província inteira
desmoita, lavra, atalha a sementeira,
suando até à fralda da camisa.
Falta a matéria orgânica precisa,
na terra que é delgada e sempre fraca!
A matéria, em questão, chama-se CACA.
PRECISAMOS DE MERDA, SR. SOISA,
E NUNCA PRECISÁMOS D'OUTRA COISA!
Se, os membros desse ilustre Ministério,
querem tomar o vosso cargo a sério,...
se é nobre o sentimento que os anima,
mandem cagar-nos toda a gente em cima
dos maninhos torrões de cada herdade.
Mijem-nos também, por caridade.
O Sr. Oliveira Salazar,
quando tiver vontade de cagar,
venha até nós, solícito, calado,
busque um terreno que esteja lavrado,
deite as calças abaixo, com sossego,
ajeite o cu, bem apontado ao rego
e... como Presidente do Conselho,
queira espremer-se, até ficar vermelho!
A Nação confiou-lhe os seus destinos?
Então, comprima, aperte os intestinos.
Se lhe escapar um traque, não se importe!
Quem sabe se, o cheirá-lo, nos dá sorte?!
Quantos porão as sua esperanças
num traque do Ministro das Finanças?
E, quem viver aflito, sem recursos,
Já não distingue um traque, dos discursos.
Nem precisamos de falar, tenho a certeza,
que a nossa maior fonte de riqueza,
desde as grandes herdades às courelas,
provém da merda que juntamos nelas.
PRECISAMOS DE MERDA, SR. SOISA,
E NUNCA PRECISÁMOS D'OUTRA COISA!
Adubos de potassa? Cal? Azote?
Tragam-nos merda pura do bispote!...
e todos os penicos portugueses,
durante, pelo menos, uns seis meses,
sobre o montado, sobre a terra campa,
continuamente, nos despejem trampa!
Terras alentejanas, terras nuas,
desespero dos arados e charruas,
quem os compra, arrenda, ou quem os herda
sente a paixão nostálgica da merda!...
PRECISAMOS DE MERDA, SR. SOISA,
E NUNCA PRECISÁMOS D'OUTRA COISA!
Ah! merda grossa e fina, merda boa,
das inúteis retretes de Lisboa!
Como é triste saber que, todos vós,
andais cagando, sem pensar em nós!
Se querem fomentar a agricultura,
mandem vir muita gente com soltura...
Nós daremos trigo, em larga escala,
pois, até nos faz jeito, a merda rala!
Venham todas as merdas à vontade,
formas naturais ou esquisitas...
e, desde o cagalhão às caganitas,
desde o grande poio, à pequena bosta,
de tudo o que vier, a gente gosta...
PRECISAMOS DE MERDA, SR. SOISA,
E NUNCA PRECISÁMOS D'OUTRA COISA
IA

Bruno Nogueira

Absolutamente genial. Andava eu pela Blogosfera, especificamente no Blog Manhoso, onde entra muitas, encontrei esta pequena, enorme pérola.


Bruno from Ivo Almeida on Vimeo.

José Saramago

Não consegui deixar de o fazer, e assim vos recrio, pelas mãos do Senhor José Saramago.
'Enfrentemos os factos. Há anos (muitos já), o famoso teólogo suíço Hans Küng escreveu esta verdade: “As religiões nunca serviram para aproximar os seres humanos uns dos outros”. Jamais se disse nada tão verdadeiro. Aqui não se nega (seria absurdo pensá-lo) o direito a adoptar cada um a religião que mais lhe apeteça, desde as mais conhecidas às menos frequentadas, a seguir os seus preceitos ou dogmas (quando os haja), nem sequer se questiona o recurso à fé enquanto justificação suprema e, por definição (como por demais sabemos), cerrada ao raciocínio mais elementar. É mesmo possível que a fé remova montanhas, não há informação de que tal tenha acontecido alguma vez, mas isso nada prova, dado que Deus nunca se dispôs a experimentar os seus poderes nesse tipo de operação geológica. O que, sim, sabemos é que as religiões, não só não aproximam os seres humanos, como vivem, elas, em estado de permanente inimizade mútua, apesar de todas as arengas pseudo-ecuménicas que as conveniências de uns e outros considerem proveitosas por ocasionais e passageiras razões de ordem táctica. As coisas são assim desde que o mundo é mundo e não se vê nenhum caminho por onde possam vir a mudar. Salvo a óbvia ideia de que o planeta seria muito mais pacífico se todos fôssemos ateus. Claro que, sendo a natureza humana isto que é, não nos faltariam outros motivos para todos os desacordos possíveis e imagináveis, mas ficaríamos livres dessa ideia infantil e ridícula de crer que o nosso deus é o melhor de quantos deuses andam por aí e de que o paraíso que nos espera é um hotel de cinco estrelas. E mais, creio que reinventaríamos a filosofia.'

José Saramago, O caderno de Saramago.

Olha para mim

Quando cada um de nós pensa que se conhece realmente bem, acontece o imprevisto. Agora posso dizer que conheço um pouco mais de mim, pois em forma de carta, chegou-me uma Tomografia Axial Computorizada Crânio-Encefálica.
'Cortes axiais do crânio com 3,75 e 7,5 mm de espessura, dirigidos aos andares infra e supra-tentorial, obtidos em TC multi-slice.
Não observamos significativas alterações morfológicas ou estruturais nível do parênquima dos hemisférios cerebrais, cerebelo e do tronco cerebral. Cavidades ventriculares e espaço subaracnoideu permeáveis e de configuração normal. Não há evidência de desvios posicionais das estruturas da linha média, nem de efeitos de massa localizados.
Condutos auditivos internos simétricos, de dimensões normais e sem alterações erosivas das suas limitantes ósseas.
Em tom de conclusão,'O presente estudo não revela alterações intra-craneanas de seguro significado patológico, nomeadamente aspectos relacionáveis com o quadro clínico-neurológico do examinado.' Assinado, o Doutor, Jorge Castro.
Reparem como agora, todos vocês têm fortes possibilidades de acreditar só mais um pouco que eu sou realmente um Ser humano. Sangue, veias, dormir, cabelo, dor e cocegas, são portanto condições verificáveis em mim, como normal que me mostro. Que orgulho.


DSC00007.JPG

(Carregar na imagem para Zoom)
IA

10/02/2009

PSD

Não se diz nunca, mas eu digo. Nunca votei PSD, e não tenciono fazê-lo a longo prazo. Mas diga-se, uma Manuela Ferreira Leite? Na mais louca das suposições, votaria num Rebelo, votaria num Rio, agora, Manuela Ferreira Leite? Sinto-vos nunca tão baixos, desde Sá Carneiro.
IA

09/02/2009

Tentação África

Recebo um SMS de África. Na Mauritânia, um amigo meu janta em casa do seu guia, com a família deste. Sentados no chão sobre almofadas, comem um cabrito [fantástico] com arroz frito. “Primeiro comem-se tâmaras com natas; depois o cabrito; só depois, então, o arroz. Tudo com as mãos e da mesma travessa”, diz.
Falam de escravatura e ouvem música árabe. O pai do seu guia é berbere. Tem cinco mulheres e dezasseis filhos. Pertencem-lhe cinquenta escravos. A escravatura foi abolida oficialmente em 1980, mas continua a existir. “A maior parte dos escravos prefere continuar assim porque tem comida e tecto. E não são espancados”, informa-me.
Imagino-me ali sentado. Entre o filho e o pai do guia, de dedos gordurosos e paladar satisfeito. Oiço a música que toca. Sinto o cheiro seco da terra árida invadir-me as narinas. As cores cores da paisagem consolam-me a vista. Tenho os sentidos em alerta. Estou em África!
IA

08/02/2009

Futebol Inglês

Faz-me rir constantemente, sempre que me lembro que uma equipa como o Futebol Clube do Porto, em jogo para a taça da liga com o Sporting Clube de Portugal, se apresentou com uma equipe que em nada se assemelhou ou irá, á equipe principal do Porto. Em vista o jogo de amanhã com o Sport Lisboa e Benfica, o Porto numa tentativa de poupança de esforços, até chamou á equipe o jovem Diogo Viana, e um outro de nome Josué, que sinceramente, nem eu o conhecia. Bem, agora sim, o Porto tem os seus jogadores principais, prontos para o encontro de amanhã com o Benfica.
Não é que tenho muito haver com o assunto, mas quero relembrar, que toda esta gestão forçada, que retira o brilho ao espectáculo que é o futebol, não passa de um mau hábito criado. Só quero mesmo relembrar que o futebol mais cativante do planeta, é o inglês, e é precisamente neste futebol, que todas as equipes jogam 3 vezes por semana, e não uma como em Portugal. Não vejo o Manchester, o Arsenal ou o West Ham a usarem de contenção de esforços. Vejo um campeonato apaixonante, em que os clubes competem, mostrando que nestas alturas é que os homens devem ser afastados dos meninos.
IA

05/02/2009

Ivo Almeida Clonado

Isto é espantoso. Ligava-me eu á nova moda do Twitter, quando encontrei algo absolutamente engraçado. Depois de criar a minha conta, comecei a adicionar os meus amigos, e qual não foi o meu espanto quando encontrei um 'amigo' com o nome de 'Ivo Almeia'. Apressei-me na tentativa de o adicionar, mas quando me deparei com o profile do mesmo, soou-me familiar. Escrito no profile, encontrei ' a I am listening to the White Album On Vinyl, having a coffee, discussing music withfriend and posting on IVOALMEIDABLOG!'.
Não me parece mal de todo, apenas a simples razão de não ser eu, e estar alguém a passar-se por mim. De resto, está tudo óptimo. Ainda dei pelo pormenor e o mesmo tê-lo feito, já vai para 4 meses. Como diria um bem conhecido amigo meu, 'Não me importa que falem bem, ou mal de mim, apenas falem!' Agradeço o elogio, quem quer que sejas amigo/a, até tiveste direito a um Post no meu blog. Espetáculo!

Já agora, - just to to recording - o IAB tem mesmo Twitter. Sejam bem vindos http://twitter.com/IvoAlmeida

IA

Cristiano Ronaldo

Parabéns, Oh melhor do mundo!

04/02/2009

Xavi

Admiro aqueles jogadores de futebol que trabalham para a equipa, e que não o fazem com grandes fintas nem uma máquina de marketing permanentemente a promovê-los. Gosto dos artistas da bola, não haja dúvida, mas admiro aqueles outros que equilibram uma equipa, organizam o jogo e com o seu trabalho dentro do campo permitem que os Ronaldos, os Ronaldinhos e os Messis possam ser aquilo que são.
E quando um desses jogadores trabalhadores e discretos, revela, fora do campo, uma lucidez e uma inteligência com a de Xavi, nesta entrevista, confirmo o meu apreço por estes tipos que, muitas vezes sem notarmos, levam uma equipa ás costas.
Nunca será bola de ouro, já se sabe, mas é um grande jogador, daqueles que pensa e tudo. Um craque.

02/02/2009

Ensaio sobre a cegueira

Não pensam que eu era capaz de vos enganar, pois não? Era! Portanto não liguem mesmo ao que vos aparece lá por baixo, porque na verdade a leitura do momento é o 'Ensaio sobre a cegueira' de José Saramago.

Posso também, e desde já acrescentar que o que se segue será o 'Formula de Deus', é o quarto romance de José Rodrigues Dos Santos, que tão bem a Daniela me falou dele. Inspeccionarei. Claro, não se sintam enganados se no entretanto aparecer uma Constituição da Republica Portuguesa, ou um Código Civil. Enfim, são carmas!
Ps: Ai de quem por comentários me conte o livro. É que eu partia para a violência atrás desse Internet Protocol!
IA