abril 19, 2008

"Doì's-me"

Dói-me. Dói-me muito. E não sei onde. Dói-me quando olho para ti, quando te vejo já ao longe, de anel encarcerado entre os teus dedos tão monstruosamente pequeninos. Dói-me saber que só te volto a ver quando já for tarde, e quando a dor se cansar de tanto me cansar. Tenho as mãos suadas e o coração a transpirar de tanto dar voltas e revira-voltas.
Dava tudo para saber estancar o palmo e meio de rasgo que me fazes na carne, não para o fazer, mas só para saber como actuar em caso de extrema urgência, que de urgência já eu vivo.
Dói-me muito, mas não sei onde. Se agora mesmo entrasse nas portas cansadas de um qualquer hospital, ficaria dia e meio para explicar onde e o que me dói. E ainda assim, dia e meio depois, estaria exactamente no mesmo ponto da conversa. Estaria de frente para uma bata branca, curvado de dores, de soro a violar-me o braço e o sangue, e de coração semi-risonho, como uma criança que faz das suas e olha para o lado para que ninguém a veja. "Juro que me dói senhor doutor, juro-lhe." De que vale explicar uma dor a quem nunca a sentiu?
A dor que me causas passa os limites de cinco países juntos.
Apetece-me beber-te a conta-gotas.
Dói-me. Dói-me muito. E quando me disseres onde, vai doer-me muito mais.

Ivo Almeida

Escadas rolantes

Na verdade muitas são as imagens criadas ao longo dos tempos, que se referem ao amor, á paixão, á toda a nostalgia e sentimento que um ser humano nutre por outro. Neste ponto, tenho a dizer que dos mil e um locais apontados como os perfeitos, os especiais ou mesmo os requintados e de nível, foram claramente ultrapassados, por um humilde de simples local de culto dos enamorados. Estou a falar lá está, das escadas rolantes. Caso contra esta teoria, então respondam sobre incapacidade de indiferença de um casal, ao iniciar a breve viagem nas escadas rolantes. Carinhos abraços e situações de novelas mexicanas são assistidas... Perfeito.

Ivo Almeida

abril 15, 2008

(Des) acordo ortográfico

Há pouco estava a falar com um amigo meu sobre este magnifico acordo, (ou deverei dizer, esta magnifica cedência aos interesses económicos em detrimento dos interesses culturais)?
Ambos chegámos à conclusão (e agora peço desculpa aos iluminados que fizeram e assinaram este acordo), que nos estamos a cagar para a sua nova escrita.
Iremos continuar a escrever como aprendemos na escola, sem respeitar as novas directrizes de quem não nos respeita.
Quem se julgam estes imbecis que nós lá colocamos por 4 anos, para decidir algo desta forma?
A mim ninguém me perguntou nada, e sendo assim, estou-me a borrifar para eles todos.
Acho piada dizerem que as nossas exportações para terras de Vera Cruz, são o que são por causa das diferenças linguísticas. Ninguém se lembra que esta são o que são, porque não há uma estratégia comum, porque ninguém se importa?
Ou querem ver que isto tudo não passa de uma cabala daquela estação de televisão que faz novelas como quem muda de slips, para exportar esse produto tão típico?
É caso para dizer que os (des)governantes deste país, se agacharam e à grande!
E peço desculpa pela linguagem, mas isto é a anedota do ano...

Ivo Almeida