03/02/2008

Música e perigo

Este tem sido o tempo em que as palavras voam, em que o sentimentos simplesmente existem e não são ouvidos, pois o comboio está perto. Viagens que se perdem no tempo, viagens sem principio sem fim, uma ida á costa sem destino, onde a chuva só adivinha mais um peso de alma. Sorrisos e beijos entregues ao vento, com mais uma imagem do passado perto de ti. Interrogatórios e silêncios, e no entanto só eu vejo o comboio a chegar, sem piedade, sem travões, forte, pesado, assassino. Bailamos pela linha, com a música do teu ciúme, mas covardes demais para lá ficar. Dois amores feitos guerreiros. Só o desespero dá coragem para a loucura; a paciência conduz ao desespero, e esta urge. Uma dor que por mais que se aloje, não vale o aço do carril, não vale o nascer de um ódio feito de ciúme, pois afinal só eu é que vejo que o comboio, não parou.

Ivo Almeida