5 Dec 2016

Obrigado - 30 anos

Amigos, na impossibilidade humana de retribuir individualmente a cada mensagem que me fizeram chegar, permitam-me esta espécie de agradecimento colectivo, que ainda assim, é absolutamente sentido e franco.
Estou imensamente grato por colorirem o meu dia com mensagens, e-mails, cartas, telefonemas, palavras, abraços, sorrisos. Todas as felicitações foram arrecadadas com um sorriso apinhado de vaidade por me escoltarem nesta jornada. Cá vos aguardo por mais trinta.
Fiquei sentido por não se lembrarem dos aviões. Próximo 4 de Dezembro… falta menos de um ano! Já sabem.
Obrigado a todos!
PS: Quem quiser uma fatia de bolo, é ir comprar. Naturalmente.








O homem sincero

Quando entrou no bar fez-lhe sinal para se sentar na mesa junto da janela. Com trepidez, ela sentou-se com olhar de quem apela «cuidado não me magoes!». Dele só podia sair aquela franqueza mais perniciosa, capaz de britar o gelo dos pólos.
«Sabes – começou - o que me desvia de ti não é medo de querer que fiques. É o receio de querer que vás ficando. Eu sou futilmente sensível à beleza do teu corpo, da tua face e tu… bem, tu és bela como a Adrianne Palicki. Houve em tempos uma rápida aflição que pensei ser saudade, mas não passava da pedinchice de um corpo em carência, de mera leviandade hormonal.
Repara, tu és puramente um refrão de uma música de três acordes. Dó-Sol-Fá, e que dó me dá. Desculpa… Vejo-te um solilóquio, um livro de três mil páginas que renuncio a leitura ao fim do segundo capítulo. Tem dias que vou ao terceiro, mas nunca me prende o conto. Tenta não me odiar. És uma boa alma, mas só me apetece ter-te para puro prazer da vista e do toque, como uma escultura ou um quadro, que contemplamos e rectificamos da perspectiva que nos almeja. Deste teu quadro, nunca descubro traços novos, independentemente da perspectiva adoptada.
A tua conversa é enfadonha como a senha 86 da segurança social às 15 horas. És uma ida às finanças.
O sexo é bom, e às vezes mediano - o que é bem pior do que ser mau, porque a ser, geraríamos algo novo. Descoberta fantástica que nos riamos noite fora. Nada.
Se eu tencionasse mesmo, mesmo muito, dar-te-ia a aprender um mundo novo, apresentava-te a minha cabeça «superhipersónica».
Confundir-te-ia, banzada, com as minhas reviravoltas intelectuais, as exasperantes aparentes antinomias e a superfluidade comovedora.
Acredita, perder-te-ias no meu labirinto interior, de tantas revindas que te deixaria tonta e disparatada, inábil de hábitos e obrigada a resistências imprevisíveis. Mas não quero.
Sabes Porquê? Pelo que mais se destaca no espaço amoroso: não entendes as minhas piadas».

30 Nov 2016

Um retrato cansado

Quando estacionei o carro escutava o som do vento a enlaçar as arestas externas deste. Um sibilo desprazível e prenunciador de uma corrida de sofrimento até à porta do Tribunal.
Já cá fora – meia-volta que nem militar experimentado - em direcção do tribunal, e sou bloqueado por uma face repisada de rugas octogenárias vincadas, de mão estirada, molhada da chuva, a pedir uma “ajudinha”, com voz moradora numa alma esgotada dos anos, do tempo, do mundo.
Depois da “ajudinha”, agradeceu e abandonou-me ancorado no chão. Lapidificado a vê-la afastar-se na direcção do Rio Sado, combatendo estoicamente contra um vento que insistia a inventar-lhe novas fortunas e solavancos. A debilidade essa, já nem ligava à chuva.
Há dias que o nosso corpo de gigante se encaixa num frasquinho de dor. Hoje vim para casa de tubo de ensaio. Acanhado.

27 Nov 2016

REGRAS - COMO SE COMPORTAR NO FACEBOOK?!

Só não vos peço para fechar os olhos, porque estão a ler. Tornava-se mais complexo. Contudo se conseguirem…

Suponham que estão a caminhar na avenida central da vossa cidade. Atravessam centenas de pessoas por hora, quando senão, reparam que alguém no passeio oposto, se veste de forma totalmente diversa daquela que vocês apreciam.

- Pergunto-me, berram para esse indivíduo a expor-lhe o quanto mal se veste, o quanto inadequada está no padrão, julgando-a na vida pela roupa que carrega no corpo?

1. Se a tua resposta foi positiva, podes concluir a leitura por aqui, mover o ponteiro do rato ali no lado superior direito onde diz «Amigos», e seleccionem a opção «Remover amizade».
2. Farei um tutorial para auxiliar os oligofrénicos.
3. Se não sabes o que é um «Oligofrénico», pesquisa no Google.
4. Se não sabes o que é um «Tutorial», aplica o ponto 1.
5. Se fores o Trump, estás excluído dos pontos 1 a 4. (Eu gosto de me rir!)

A mim afigurar-se que no Facebook e demais redes sociais, aplicar-se-á o mesmo critério.
Atestamos qualquer conteúdo que achamos um perfeito absurdo. Uma asneirada. Um terrorismo intelectual descomunal. Designem como quiserem. Quando damos por nós, a Maria Leal é candidata a P.R. e o João Benedito a Presidente do Sporting… Comentar?

1. Se estiverem de acordo, comentem, gostem, adorem, partilhem!
2. Se não estiverem de acordo, estejam simplesmente quietos. Deixem-se de armar em juízes de execução de penas. São esses os ditames do respeito.
3. Os pontos 1 e 2 não se aplicam se for um post do Donald Trump. Partilhem directamente no meu mural. (Eu gosto de me rir!)

Mais a sério malta fantástica.
Vamos relembrar que atrás de cada ecrã habitam pessoas e não simples fotos de perfil. Esse ecrã não pode nem deve ser véu de impunidade lógica, que nos consente a comentar sempre que não estamos de acordo. ~
Se cada um de nós fosse assim na vida, a realidade é que não a tínhamos! Reparem que 98% das vezes, ninguém vos perguntou coisa alguma, certo?
Inteligentemente saudável seria mesmo respeitar a opinião diversa, sem a necessidade de patentearmos a nossa discórdia. Muito menos sem educação. O julgamento que não deve existir, a ter lugar, é realizado em silêncio – de preferência com um sorriso de esgar.
Concluindo,
O meu Facebook é a minha casa, não a vossa. Surjam por bem e bebemos juntos. Caso contrário, eu sou um democrata, mas o meu Facebook não é uma democracia.

Ps: Sempre que copiem um texto de alguém, identifiquem essa pessoa. Vamos lá saber viver em CiberSociedade.

RADICALISMO DO AMOR

Foram semanas dedáleas e as informações transpunham-se diariamente, sem que eu tivesse tempo algum para esconjurar os nervos.
Agora que as querelas jurídicas me permitiram inspirar um pouco mais fundo, dei com os olhos postos no escrito da Sr.ª Assunção Cristas onde registava a resposta ao «radicalismo do populismo, com o radicalismo do amor».
Não é sequer necessário ser católico, para compreender que «Radicalismo do amor» é uma expressão trivial na esfera católica, que porventura fará todo o sentido a nível espiritual e religioso, mas dissipa-se totalmente de nexo a nível político.
O «radicalismo do amor» pode até ser um delineamento místico altamente apreciável a nível particular, mas ele não é um plano político que a líder de um partido deva aduzir a toda a sociedade. E nada tem a ver com ilogismo ou falta de audácia em preconizar as convicções religiosas de cada um – relaciona-se com a distinção, excessivamente valiosa para ser desconsiderada, entre o plano político e o plano religioso. A separação entre a igreja e a política é retemperante, e o CDS ainda é um partido político. Associar, é puramente terrorismo ideológico.
Amor é uma palavra politicamente inútil.

19 Nov 2016

Portugal - dos pequeninos...

Há leituras que por serem tão fastidiosas me exaltam dores de cabeça. Há leituras que por serem tão extensas me instigam sofrimento nos olhos. Com esta realidade, queixo-me da alma. Adultera-me o espírito.


Podem não acreditar, mas está aqui - O Trump explicado para os meninos desatentos.

15 Nov 2016

Esta noite

Esta noite trajas pela casa com uma camisa de homem, branca. Larga. Uns sete números acima da tua dimensão. O tamanho certo.
Esta noite colocas aqueles saltos, para ficarmos numa só medida. Selecciona a música, porque a dança, o homem conduz.

9 Nov 2016

EVERY COUNTRY HAS THE PRESIDENT IT DESSERVES!

NOTA: Antes de delinear alguma opinião pacóvia, permitam-me salvaguardar que 90% das observações que tenho lido nas redes sociais, são de pessoas que não assentem nem coabitam com a democracia.
Podemos aprovar ou não o resultado, mas não devemos descurar, nem tentar inverter o que foi um processo de sufrágio democrático.
A democracia não existe só para socorrer os «nossos ideais de justiça». É global. Labora para um “bem” público. Comum.
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Bem, ainda ontem adormeci em 2016, e hoje acordo em 1933.
Estranho, porque continuo com a barba por fazer.
Meus caros, sejamos pragmáticos. Todos os dias saímos à rua e cruzamo-nos com imensos homo-neanthertalensis. Acéfalos. Até lhes oferecemos os «Bons dias!». A dissemelhança é que este é Presidente dos EUA.
Para vos asserenar as almas, tenho para mim que “Donald Trump Presidente”, não será o Trump que nos ‘animou’ durante amplos meses de campanha eleitoral, o que não deixa de ser deplorável, todavia díspar.
Aflige-me mais a assimilação que o povo americano, fez das palavras de Trump. Donald Trump durante a correria à Casa Branca, conseguiu através dos seus discursos epidérmicos desprender os demónios da ignorância, do populismo e da intolerância. Quando se exaltam junto de um povo carente de informação, esgotado de um sistema, bastante tempo demora até se retornar a colocar «a caixa dentro do armário».
Discursos tenebrosamente apelativos, ao ponto do Klu klux klan rever os seus ideais radicais neles, e conferir o seu aplauso ao candidato.
Prevejo tempos conturbados no que respeita à paz social nos EUA.
Acredito que o povo americano não votou para eleger Donald Trump, mas antes por um clamor de rebelião contra o sistema institucionalizado nos EUA, praticamente desde a Segunda Guerra Mundial. Sem a minúscula noção dos efeitos e consequências que daí advém. É certo.
Já agora, é igualmente genuíno que um país desenvolvido, não representa que nele habite uma sociedade politicamente desenvolvida.
O sistema político, assim como a justiça são o caos nos EUA. Aplicar-se-iam a um 4.º mundo por inventar.
Não se acolhe um Presidente dos EUA com o perfil de Trump – Estrela de Reality shows - como não se admite que a “melhor” candidata à Casa Branca fosse Hillary Clinton. Uma nulidade, igualmente perigosa.
Every country has the President it desserves.

6 Nov 2016

A febre do Sr. Ministro

Ouvindo a questão, ele observou-lhe os olhos com algum desdém.
Era naturalmente perceptível que com a chegada do Vinho do Porto ao estômago, pouco implicava quem ele era, de onde vinha, ou o que fazia.
Ele era o que ela quisesse, ele fazia o que ela deixasse. Eram pouco significativas as muitas línguas que poderia saber falar, afinal, já só procurava descobrir a dela nos escondidos ângulos do pescoço. Nada valiam as inúmeras formações com aprofundados doutoramentos, quando nenhuma ciência lhe dilucidava o fogo daquela febre. Febre do toque, avidez do fôlego.
Foi o indicador a pressionar-lhe os lábios que a sustaram de persistir nas questões desnecessárias. Por sua vez entendida, ela sorriu e beijou-lhe o indicador com delicadeza, mesma antes de o provar.
O Sr. Ministro tinha então descoberto, antipirético quimérico para descender aquele estado febril.