GAME OVER
Princípio da igualdade
Publicada por
Ivo Almeida
Giro. Talvez não tanto. Todos os santos dias na entrada para o comboio e metro, aparecem aquelas senhoras pequeninas, que furam as costas do pessoal. No fundo ninguém lhes liga, pois são realmente pequeninas.
Gosto de partir do principio da igualdade, e em sede dessa mesma ideia, denoto na cara dessa gente, as veias inchadas e as faces vermelhas de tanta força feita na tentativa de 'furar'.
Ainda hoje, ia entrar para o comboio quando uma dessas pessoas esbarrou com a cara bem no meu cotovelo. Pediu-me desculpa e eu sorri.
Mas nem por isso desistiu, pois até me sentar, fui a levar cabeçadas nas costas dessa mesma pessoa. Ora, com aquele tamanho, e com aquela força, ninguém seria capaz de replicar. Mas eu sei que a senhora se esforçou.
O aviso é seguinte, tenho 1.90m e peso 90kg. Vou começar a fazer força na tentativa de 'furar', ou agora a nova modalidade 'cilindrar'.
Isto, porque lá está, sou grande crente no Artigo 13º da Constituição da Republica Portuguesa.
Gosto de partir do principio da igualdade, e em sede dessa mesma ideia, denoto na cara dessa gente, as veias inchadas e as faces vermelhas de tanta força feita na tentativa de 'furar'.
Ainda hoje, ia entrar para o comboio quando uma dessas pessoas esbarrou com a cara bem no meu cotovelo. Pediu-me desculpa e eu sorri.
Mas nem por isso desistiu, pois até me sentar, fui a levar cabeçadas nas costas dessa mesma pessoa. Ora, com aquele tamanho, e com aquela força, ninguém seria capaz de replicar. Mas eu sei que a senhora se esforçou.
O aviso é seguinte, tenho 1.90m e peso 90kg. Vou começar a fazer força na tentativa de 'furar', ou agora a nova modalidade 'cilindrar'.
Isto, porque lá está, sou grande crente no Artigo 13º da Constituição da Republica Portuguesa.
Robert Enke
Publicada por
Ivo Almeida
Eram tempos agora nostálgicos, e a recordação é ainda fresca. Aliás, ficou bem mais fresca hoje pelas 7 horas da manhã. Com idade de juvenil, e o grande Benfica foi treinar ao Almada Atlético Clube, clube esse onde eu dava por essa altura uns pontapés na bola. A excitação era muita, para nós não era apenas um treino, era uma atracção. Provavelmente teríamos mais público nesse treino, do que em jogo oficiais. Eram os meus ídolos, e estariam ali a jogar, bem á minha frente. Bloqueavam-me os movimentos a simples presença de tais sujeitos, assim como os pensamentos que teimavam em não sair completos.
Começou o treino, e quando acabou, perdíamos por 13 a 14. Parecia resultado de equipe de Andebol.
Nos tuneis de acesso, a timidez ficava de parte na tentativa de uns dedos de conversa com fotografias e autógrafos com as estrelas.
Com mais sorte com uns do que outros, recordo o Fernando Meira, alto, antipático e frio, o Simão Sabrosa, sempre a rir, e o Argel que discutia com o Nuno Gomes, e queria bater-lhe.
Na altura, tinha sem dúvida maior admiração pelo Nuno e pelo Simão, mas não consigo (muito menos agora) esquecer de um rapaz alto (1.86m) loiro, com tremendas dificuldades em falar português, e o inglês não era o meu forte. Sempre com um sorriso amável, e olhos de quem tinha a bondade nas veias. Saiam várias «Origados» por cada foto, e um abraço por cada autografo. Depois da foto no telemóvel de um colega meu, assinou 'Robert Enke' na minha t-shirt, por era esse o seu nome completo.
Após assinatura, ficamos cerca de 7 rapazes de olhos esbugalhados de volta do Enke, do Poborsky e do Pepa.
A bem deste post, (e depois, de numa mistura de inglês e português, nos ter contado que tinha criado um canil em sua casa, só porque haviam muitos cães vadios na sua rua) digo apenas quais as ultimas palavras que ouvi de tal rapaz «Tu, moito bom», «Portuguel tudo moito bom que Deustland».
Há os bons atletas, e há os bons profissionais. Aqueles raros, que agregam as duas categorias, são como Enke sempre foi. Um muito bom homem.
Por agora, o choque vai passando, mas fica o abalo da noticia.
Sabes Enke; Tu muito melhor!
Começou o treino, e quando acabou, perdíamos por 13 a 14. Parecia resultado de equipe de Andebol.
Nos tuneis de acesso, a timidez ficava de parte na tentativa de uns dedos de conversa com fotografias e autógrafos com as estrelas.
Com mais sorte com uns do que outros, recordo o Fernando Meira, alto, antipático e frio, o Simão Sabrosa, sempre a rir, e o Argel que discutia com o Nuno Gomes, e queria bater-lhe.
Na altura, tinha sem dúvida maior admiração pelo Nuno e pelo Simão, mas não consigo (muito menos agora) esquecer de um rapaz alto (1.86m) loiro, com tremendas dificuldades em falar português, e o inglês não era o meu forte. Sempre com um sorriso amável, e olhos de quem tinha a bondade nas veias. Saiam várias «Origados» por cada foto, e um abraço por cada autografo. Depois da foto no telemóvel de um colega meu, assinou 'Robert Enke' na minha t-shirt, por era esse o seu nome completo.
Após assinatura, ficamos cerca de 7 rapazes de olhos esbugalhados de volta do Enke, do Poborsky e do Pepa.
A bem deste post, (e depois, de numa mistura de inglês e português, nos ter contado que tinha criado um canil em sua casa, só porque haviam muitos cães vadios na sua rua) digo apenas quais as ultimas palavras que ouvi de tal rapaz «Tu, moito bom», «Portuguel tudo moito bom que Deustland».
Há os bons atletas, e há os bons profissionais. Aqueles raros, que agregam as duas categorias, são como Enke sempre foi. Um muito bom homem.
Por agora, o choque vai passando, mas fica o abalo da noticia.
Sabes Enke; Tu muito melhor!


Sonhos
Publicada por
Ivo Almeida
As vezes construímos sonhos em cima de grandes pessoas... O tempo passa... e descobrimos que grandes mesmo eram os sonhos e nós pequenos demais para nos tornarmos reais...
Abertura do Jornal Nacional (TVI)
Publicada por
Ivo Almeida
«Hoje uma aldeia em Portugal vai ficar vazia, e a culpa é do BENFICA».
Obama e o Prémio Nobel da Paz
Publicada por
Ivo Almeida
Em duas ou três semanas, Obama teve uma acção suficientemente meritória para ganhar o Nobel da Paz. Que fez ele? A resposta é clara: nada. Não ordenou retiradas, mas também não ordenou ataques. Não ordenou nada, o que já é bem bom. Um estadista que não faça nada tem, hoje, um valor inestimável
A atribuição do prémio Nobel da Paz a Barack Obama é, evidentemente, absurda. É inconcebível que o recém-eleito presidente dos Estados Unidos tenha recebido o prémio Nobel. Especialmente, é inconcebível que o tenha recebido antes de vencer um Oscar, de ganhar a Bota de Ouro e de ser coroado Miss Portugal. Que se passa com a academia de Hollywood, a Liga de Futebol Profissional e o júri do popular concurso de beleza para não terem ainda premiado Barack Obama? Como é possível que Obama esteja há quase um ano na Casa Branca e tenha vencido apenas um prémio Nobel? E logo o da Paz, que não exige qualquer mérito da parte do premiado - nem sequer o mérito de promover a paz, conforme se constata pelo facto de Henry Kissinger ter recebido o galardão em 1973. Porque não o da Literatura, se as suas autobiografias (as 23) estão escritas num estilo tão elegante e enxuto? Porque não o da Economia, o da Química ou da Medicina? Pode perguntar-se: que fez ele para vencer o Nobel da Economia, da Química ou da Medicina? E pode responder-se: o mesmo que fez para ganhar o da Paz.
As candidaturas para o prémio Nobel da Paz são entregues em Fevereiro. Barack Obama tomou posse como presidente dos Estados Unidos no final de Janeiro. Em duas ou três semanas, Obama teve uma acção suficientemente meritória para ganhar o Nobel da Paz. Que fez ele? A resposta é clara: nada. Não ordenou retiradas, mas também não ordenou ataques. Não ordenou nada, o que já é bem bom. Um estadista que não faça nada tem, hoje, um valor inestimável. Há quem diga que o prémio foi atribuído a Obama como sinal de esperança no que o presidente americano poderá fazer no futuro. Sinceramente, não creio. Julgo que o comité norueguês atribuiu o prémio agora por uma questão de oportunidade: há que aproveitar enquanto é tempo. Normalmente, é uma questão de meses até o presidente dos Estados Unidos lançar o país numa guerra qualquer. É preciso premiá-lo enquanto não começa a rebentar com coisas no Médio Oriente.
Por outro lado, é muito curioso que a atribuição do Nobel da Paz a Barack Obama tenha desencadeado uma série de comentários extremamente beligerantes. Raras vezes terá havido tanta discórdia a propósito da Paz. É mais um mérito de Obama: recebe prémios, promove discussões, agita o mundo. E tudo sem se mexer. Minto: há uns meses comprou um cão. Mas imaginem o que acontecerá quando ele começar mesmo a fazer coisas.
A atribuição do prémio Nobel da Paz a Barack Obama é, evidentemente, absurda. É inconcebível que o recém-eleito presidente dos Estados Unidos tenha recebido o prémio Nobel. Especialmente, é inconcebível que o tenha recebido antes de vencer um Oscar, de ganhar a Bota de Ouro e de ser coroado Miss Portugal. Que se passa com a academia de Hollywood, a Liga de Futebol Profissional e o júri do popular concurso de beleza para não terem ainda premiado Barack Obama? Como é possível que Obama esteja há quase um ano na Casa Branca e tenha vencido apenas um prémio Nobel? E logo o da Paz, que não exige qualquer mérito da parte do premiado - nem sequer o mérito de promover a paz, conforme se constata pelo facto de Henry Kissinger ter recebido o galardão em 1973. Porque não o da Literatura, se as suas autobiografias (as 23) estão escritas num estilo tão elegante e enxuto? Porque não o da Economia, o da Química ou da Medicina? Pode perguntar-se: que fez ele para vencer o Nobel da Economia, da Química ou da Medicina? E pode responder-se: o mesmo que fez para ganhar o da Paz.
As candidaturas para o prémio Nobel da Paz são entregues em Fevereiro. Barack Obama tomou posse como presidente dos Estados Unidos no final de Janeiro. Em duas ou três semanas, Obama teve uma acção suficientemente meritória para ganhar o Nobel da Paz. Que fez ele? A resposta é clara: nada. Não ordenou retiradas, mas também não ordenou ataques. Não ordenou nada, o que já é bem bom. Um estadista que não faça nada tem, hoje, um valor inestimável. Há quem diga que o prémio foi atribuído a Obama como sinal de esperança no que o presidente americano poderá fazer no futuro. Sinceramente, não creio. Julgo que o comité norueguês atribuiu o prémio agora por uma questão de oportunidade: há que aproveitar enquanto é tempo. Normalmente, é uma questão de meses até o presidente dos Estados Unidos lançar o país numa guerra qualquer. É preciso premiá-lo enquanto não começa a rebentar com coisas no Médio Oriente.
Por outro lado, é muito curioso que a atribuição do Nobel da Paz a Barack Obama tenha desencadeado uma série de comentários extremamente beligerantes. Raras vezes terá havido tanta discórdia a propósito da Paz. É mais um mérito de Obama: recebe prémios, promove discussões, agita o mundo. E tudo sem se mexer. Minto: há uns meses comprou um cão. Mas imaginem o que acontecerá quando ele começar mesmo a fazer coisas.
O voto nulo
Publicada por
Ivo Almeida
Mais uma vez, o principal aspecto das eleições legislativas passa sem o comentário dos analistas políticos. Como é possível que a generalidade dos comentadores passe a noite eleitoral a dizer banalidades sobre os votos nos grandes partidos e não diga uma única banalidade sobre os votos brancos e, sobretudo, os votos nulos? Os eleitores mais empenhados e que levam mais a sério o seu voto voltaram a ser ignorados em todos os comentários. No entanto, e como é evidente, não há nenhum eleitor mais abnegado do que aquele que deposita na urna um voto nulo. Trata-se de um cidadão que se desloca à secção de voto com o objectivo de inutilizar o seu boletim, muitas vezes escrevendo nele uma frase indecente, ou espirituosa, ou ambas - uma obra que será contemplada apenas pelos dois ou três desgraçados que despejam a urna e fazem a contagem dos votos. Normalmente, a mensagem escrita no boletim é dirigida a um candidato, ou a vários, ou a todos - no entanto, na melhor das hipóteses fará corar apenas a presidente da mesa eleitoral. Há nisto tanto de poético, de quixotesco e de belo (e é tão curioso que toda essa beleza seja produzida, na maior parte das vezes, pelo desenho de partes seleccionadas do corpo humano) que me dá vontade de chorar. Mais ainda do que os próprios resultados eleitorais.
Os votos brancos caíram 4544 votos, enquanto os nulos subiram de 65 515 votos para 74 274, o que significa um importante aumento de 8759 votos. Sem fazer campanha, sem dinheiro do Estado para propaganda, sem tempos de antena, a obscenidade democrática vai trilhando o seu caminho, subindo paulatinamente, sufrágio após sufrágio. O mais triste, e até injusto, é o facto de este tipo de voto continuar a ser designado por nulo. Quem tem a suprema lata antidemocrática de dizer que um voto com um dito ou um desenho indecoroso é menos válido do que uma cruzinha num dos partidos listados no boletim? Quando é que a Comissão Nacional de Eleições percebe que este sistema de denominação discrimina precisamente os votos mais livres, mais requintados, mais artísticos? Nulo, um pirete? Válida, uma cruzinha? Não faz sentido. O pirete agregador, porque desenhado democraticamente sobre todos os partidos, com a sua pujança fecundadora, é um voto que promete futuro. A cruzinha, encarcerada num só quadrado, é exclusiva, porquanto elege um e repele todos os outros. Uma cruz é uma cruz. Um pirete tem diversos matizes, tamanhos, guarnições. Há, evidentemente, muito mais num pirete que numa triste cruz.
Os votos brancos caíram 4544 votos, enquanto os nulos subiram de 65 515 votos para 74 274, o que significa um importante aumento de 8759 votos. Sem fazer campanha, sem dinheiro do Estado para propaganda, sem tempos de antena, a obscenidade democrática vai trilhando o seu caminho, subindo paulatinamente, sufrágio após sufrágio. O mais triste, e até injusto, é o facto de este tipo de voto continuar a ser designado por nulo. Quem tem a suprema lata antidemocrática de dizer que um voto com um dito ou um desenho indecoroso é menos válido do que uma cruzinha num dos partidos listados no boletim? Quando é que a Comissão Nacional de Eleições percebe que este sistema de denominação discrimina precisamente os votos mais livres, mais requintados, mais artísticos? Nulo, um pirete? Válida, uma cruzinha? Não faz sentido. O pirete agregador, porque desenhado democraticamente sobre todos os partidos, com a sua pujança fecundadora, é um voto que promete futuro. A cruzinha, encarcerada num só quadrado, é exclusiva, porquanto elege um e repele todos os outros. Uma cruz é uma cruz. Um pirete tem diversos matizes, tamanhos, guarnições. Há, evidentemente, muito mais num pirete que numa triste cruz.
Um homem diferente
Publicada por
Ivo Almeida
Agora sim, eu cubro a rua
Num manto apaixonado, só por ti
Eu fico só, na multidão, remendas-me, reparas-me
E descubro o homem que há em mim.
Deixei para trás, a vida cheia de defeitos,
Fechei a porta, onde não mais quero entrar
E ao acaso pelas ruas da cidade,
Assobiando o meu amor, por ti a sonhar...
Faz mau tempo lá pelo passado,
Faz sol no meu presente
Só me faltavas tu,
E agora sou diferente...
Não há mais por do sol
Em Sunset Boulevard,
Agora estás aqui,
já nem me podem encontrar...
E foi assim,
No parque as nações,
Alguém aparece e oferece um cigarrinho
«Muito obrigado amiga não, não vou fumar»
No coração já deixei esse caminho...
Deixei para trás, a vida cheia de defeitos,
Fechei a porta, onde não mais quero entrar
E ao acaso pelas ruas da cidade,
Assobiando o meu amor, por ti a sonhar...
Num manto apaixonado, só por ti
Eu fico só, na multidão, remendas-me, reparas-me
E descubro o homem que há em mim.
Deixei para trás, a vida cheia de defeitos,
Fechei a porta, onde não mais quero entrar
E ao acaso pelas ruas da cidade,
Assobiando o meu amor, por ti a sonhar...
Faz mau tempo lá pelo passado,
Faz sol no meu presente
Só me faltavas tu,
E agora sou diferente...
Não há mais por do sol
Em Sunset Boulevard,
Agora estás aqui,
já nem me podem encontrar...
E foi assim,
No parque as nações,
Alguém aparece e oferece um cigarrinho
«Muito obrigado amiga não, não vou fumar»
No coração já deixei esse caminho...
Deixei para trás, a vida cheia de defeitos,
Fechei a porta, onde não mais quero entrar
E ao acaso pelas ruas da cidade,
Assobiando o meu amor, por ti a sonhar...
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