junho 30, 2018

Marcelo Rebelo de Sousa com Donald Trump

De estirada célere e arguta, à provocação que Trump lançou acerca de Cristiano Ronaldo se candidatar um dia contra Marcelo Rebelo de Sousa, este replicou que “Portugal não é como os Estados Unidos da América”, tentando evidenciar que o populismo excêntrico, e as figuras de entretainer, não tem lugar na política Portuguesa, ao contrário de Trump na América.

Os portugueses rejubilaram de envaidecimento com a resposta de Marcelo. Devo inclusive admitir, que apreciei a forma como Trump acusou a farpa, e de imediato mudou de assunto. Todavia, não deixa de ser satírico, que tamanha lição de seriedade política institucional, venha de um Presidente da República que;

1. Teve 10 anos de campanha eleitoral ininterrupta, em horário nobre, onde “jantou com milhares de famílias, entrado pela sua televisão, sentando-se à mesa”.

2. Como idealista de direita, não faltou a uma única Festa do Avante, sendo o primeiro a chegar e o último a sair, distribuindo assinaturas, beijos e fotos.

3. Na campanha eleitoral formal, manteve-se em silêncio, usando da semente familiar já criada ao longo de anos, escusando-se de apresentar propostas, ou sequer debater assuntos.

4. Concorreu contra Tino de Rans, uma personalidade que representa o populismo mais bacoco, e este, ainda assim, conseguiu mais votos que a candidata apoiada pelo maior partido da Democracia Portuguesa, Maria de Belém.

5. Enquanto presidente, reinou a política girassol, capaz de dizer tudo e o seu contrário, nunca tomando posição em situações das quais não sentisse de imediato a inclinação popular.

6. De forma azevieiro, atacou pela primeira vez uma Ministra aquando dos incêndios em Pedrógão Grande, com a certeza da revolta do país, ainda que sabendo da míngua, ou discutível responsabilidade desta.

7. Hoje, termino o dia, a olhar para Marcelo Rebelo de Sousa num palco a cantar “A minha casinha” dos Xutos&Pontapés.

Em suma, Marcelo Rebelo de Sousa apontou a Donald Trump, um comportamente que é exactamente tudo aquilo que faz Marcelo crescer por cá, e tão bem usa.

Que bem prega Frei Tomás.
Mas, o Português aplaude.

junho 13, 2018

A Prova Digital

O livro, "A Prova Digital" de Ivo de Almeida, está novamente à venda na FNAC, El Corte Inglês, Porto Editora, Almedina, e online na Librum Editora, agora com 20% de desconto.

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junho 07, 2018

Alegações finais

- Com a devida vénia, quero começar por cumprimentar o Tribunal na pessoa da distinta meritíssima, a minha ilustre colega, estender os meus cumprimentos à Sr.ª Oficial de justiça e demais presentes na sala.
Entrámos hoje nesta digníssima sala de audiências, para aferir de uma alegada violação do dever de fidelidade do meu constituinte, na pessoa da sua esposa, aqui Autora.
Certo é, que na produção de prova aqui trazida aos autos, pouco mais se provou que, no dia 6 de Outubro de 2017, este chegou à sua habitual residência, com a camisa desapertada, de cabelo despenteado, e com inúmeras marcas de batôn na face.
Posto isto, nada mais resta à defesa, senão pugnar pela total absolvição do aqui Réu, denotando-se com clarividência e simplicidade, que este andou à pancada com um palhaço.
(…)

junho 04, 2018

O retrato da ânsia

Se por cá lhe chamam "Geringonça", por terras italianas, terá de ser uma “Maxi-Geringonça”. Inimigos históricos, reúnem-se a fumar o cachimbo da paz, e a cantar “Fratelli d'Italia”, demonstrando, que quando o bom-senso e honra não são suficientes para entendimentos, a sede pelo poder é.

junho 02, 2018

Da bancada vê-se um mundo

Pesarosa sociedade esta, onde infelizes figuras, após atletas serem brutalmente agredidos, conseguem culpá-los, asseverando que “deveriam ter levado mais”.
Imigraram os valores, prescreveram-se os princípios, a honra, o respeito, e a dignidade.

É de um raciocínio absolutamente desprezível, de populaça frustrada, que nunca ganhou um euro a praticar desporto, reconhecer plausível, que um atleta seja ameaçado, intimidado e agredido. É inacreditável que estes trogloditas a granel, cuja barriga não lhes permites ver os pés, considerem uma deslealdade os atletas quererem abandonar o clube, após todas estas circunstâncias lastimáveis. Após todo este clima miserável.

É assombroso culparem os atletas por uma derrota, dias após este tormento, onde jogadores se exibiram de cabeça ligada, resultado das agressões sofridas.
Se razão alguma subsistia a reclamar contra os jogadores, certo é que, por ora, se perdeu toda e qualquer legitimidade para a cobrar.

É triste, lamentável, não ser entendimento consensual, seja em que equipa for, independentemente da modalidade, a não aceitação da violência como método de se fazer considerar as queixas dos adeptos.

Gostava que gostassem de futebol, substituindo as tochas, martelos, e cintos, por bom senso.



maio 29, 2018

Despenalização da eutanásia, não é tema político

É praticamente sacrilégio não ter um juízo estabelecido acerca da Eutanásia. Por isso, escrevo hoje, a criticar algumas das apreciações.
Aliás, é em temas como este, de vital relevância, que mais me martiriza o sectarismo político, o seguidismo ideológico, a disciplina de opinião. Há matérias importantes demais para se restringirem em cores, ou delimitarem em grupos.
Permitam-me a controvérsia, mas a despenalização da eutanásia, não é um tema político.
Nas palavras do meu ilustre colega, Dr. Saragoza da Matta, que expõe: “O direito a morrer não é de esquerda nem de direita... é de Justiça!”, replica parcialmente a minha noção, mas com o devido respeito, também não posso concordar na sua completude.
Inevitavelmente a questão do direito a morrer, não é de esquerda nem de direita. Contudo, também não é de Justiça. É antes de Direito, da moral, e das ciências médicas.
Se tencionarmos trazer os termos jurídicos à colacção, que bem necessários são, entenda-se, a questão a colocar seria exclusivamente: - Qual o limite para a autonomia humana, no direito de dispor responsavelmente da sua morte?
Isto é, o princípio da autonomia que se substantifica no "direito à vida e no direito à morte”, como primário na autodeterminação, incluindo a liberdade de decidir sobre quando do nosso fim.
A discussão deve centrar-se na liberdade, e na responsabilidade de decidir. Não mais.
Neste sentido, entendo que nesta questão não há espaço para se discutir, em alternativa, a qualidade dos cuidados paliativos como, tenho lido ultimamente. São realidades que não se confundem, porque simplesmente, não se substituem.
Há muito caminho a percorrer, muitas folhas por conhecer nas palavras de Francis Bacon, Descartes, Jacques Monod, entre tantos outros ilustres que se debruçaram sobre o tema, porém, no fim, mesmo a literatura mais erudita, se divide.
Por ora, considero importante que a intervenção do cidadão seja livre, e esclarecida sobre o tema. Particularmente, sem pressões políticas. O tema é superior a política. Falamos do bem jurídico VIDA.
Reduzir o tema em mera questão política, é pura leviandade que todos nós temos o dever de não permitir, independentemente da nossa opinião.



maio 26, 2018

Cavaco Silva vai votar PCP

Centenas de crianças de todo o país, foram esta noite recambiadas para a cama dos pais, alegando que viram o reaparecimento de um Cavaco, que se diz Silva. Apesar de inofensivo, é impossível explicar isto aos petizes. De apelo patético, vem o próprio sugerir que em 2019 não se vote em partidos que tenham apoiado a despenalização da eutanásia. Pareceu-me um claro apelo de Cavaco Silva ao voto na CDU. Em razão disso, é de apontar a sobrancelhas deste, a reproduzir fielmente as de Álvaro Cunhal. Consta, nos bastidores políticos, que será o próximo cabeça de lista da CDU pela freguesia de Poço de Boliqueime.
Agora a mais a sério, naturalmente que não se apercebeu do burlesco da sua intervenção, mas já se sabe, não é tão grave lidar connosco, quando por outro lado, também não se tem noção que ninguém nos liga. (Eu sou feliz, reparem!)